Gabarito Comentado: Quiz de Recarga de Veículos Elétricos
Atualizado: 28 de jul.
Você fez o Quiz de Recarga de Veículos Elétricos da ETC Energy e quer saber onde errou?
Aqui está o gabarito completo com a resposta correta de cada pergunta e a explicação técnica baseada nas normas vigentes.
Pergunta 1 — Qual o fator de demanda que a NBR 17019 exige para cada ponto de recarga individual?
a) 1,0
b) 0,8
c) 0,5
A NBR 17019 estabelece que cada ponto de recarga individual deve ser considerado com fator de demanda igual a 1 — ou seja, 100% da potência nominal. Não se pode aplicar nenhum fator de redução na demanda de um carregador individual.
Se uma wallbox tem potência nominal de 7,4 kW (32A monofásica), o projeto elétrico deve considerar os 7,4 kW integralmente no dimensionamento do circuito — cabos, disjuntor, DR e ramal de entrada.
Esse fator de demanda unitário existe porque a recarga de veículos elétricos é uma carga de longa duração: o carregador pode operar na potência máxima por várias horas contínuas, diferentemente de chuveiros ou ar-condicionados que ciclam.
Pergunta 2 — Qual tipo de IDR é tecnicamente PROIBIDO na proteção de uma wallbox?
a) IDR tipo B
b) IDR tipo B com corrente superior a nominal do disjuntor
c) IDR tipo AC
O IDR tipo AC não detecta correntes residuais contínuas (CC) geradas pelos conversores internos dos carregadores veiculares. Seu uso é proibido pela NBR 17019:2022.
As baterias dos veículos elétricos operam em corrente contínua (CC). Durante a recarga, o conversor AC/DC interno do carregador faz a interface entre a rede alternada e a bateria CC do veículo.
Em caso de falha nesse conversor, componentes de corrente contínua podem "vazar" de volta para o circuito AC da instalação. Um DR tipo AC detecta apenas correntes residuais alternadas senoidais — ele simplesmente "não enxerga" essa fuga CC de origem da bateria, colocando o usuário em risco.
O IDR mais completo é o tipo B, que detecta correntes residuais alternadas, pulsantes e contínuas. Sua corrente nominal deve ser igual ou superior à do disjuntor conectado em série no circuito da wallbox.
No entando a maioria dos carregadores possuem detecção interna de corrente CC residual, o que permite o uso de DR tipo A em vez de tipo B.
Consulte sempre o manual do fabricante do carregador.
Pergunta 3 — O que acontece legalmente se uma Wallbox que você instalou causar incêndio e você errou no dimensionamento dos cabos e proteções?
a) Nada, o cliente assume
b) Você responde civil e criminalmente
c) A seguradora é acionada e paga
Quando um profissional executa uma instalação elétrica e comete erro técnico no dimensionamento — cabos subdimensionados, proteção inadequada — ele assume responsabilidade técnica sobre aquela obra. Se a instalação causar incêndio, danos materiais ou lesão a pessoas, o profissional responde nas esferas civil (indenização por danos) e criminal (lesão corporal culposa ou homicídio culposo, conforme a gravidade).
O Código Civil (art. 927) estabelece que aquele que causa dano a outrem por ato ilícito fica obrigado a repará-lo.
O Código Penal prevê responsabilização por imprudência, negligência ou imperícia.
E o Código de Defesa do Consumidor (art. 14) responsabiliza o prestador de serviço por defeitos na execução, independentemente de culpa.
Por isso é fundamental dimensionar corretamente, seguir as normas (NBR 17019, NBR 5410) e documentar tudo com memória de cálculo e emitir um documento de responsabilidade técnica.
Pergunta 4 — Quando a distribuidora deve ser comunicada sobre a instalação da wallbox?
a) Não precisa comunicar
b) Sempre comunicar
c) Comunicar se houver aumento de carga
A comunicação à distribuidora de energia é necessária quando a instalação da wallbox altera a demanda contratada ou o padrão de fornecimento da unidade consumidora.
Uma wallbox de 7,4 kW (32A monofásica) ou 22 kW (32A trifásica) pode representar um aumento significativo na carga instalada.
Se a demanda total ultrapassar a capacidade do padrão de entrada existente, é obrigatório solicitar o aumento de carga junto à concessionária antes de instalar o carregador.
Na prática, isso significa verificar a capacidade do disjuntor geral e do ramal de entrada. Se a carga da wallbox somada às cargas existentes ultrapassar a demanda disponível, o padrão precisa ser redimensionado — e a distribuidora comunicada formalmente.
Pergunta 5 — No disjuntor, por que é importante especificar o valor destacado na imagem (exemplo: 3kA)?

a) Porque ele define a potência máxima da wallbox que o disjuntor suporta sem desarmar
b) Porque garante que o disjuntor consiga interromper um curto-circuito severo sem queimar ou explodir
c) Esse número não é usado
O valor destacado na face do disjuntor é a capacidade de interrupção (Icu ou Ics), medida em ampères. Esse número indica a corrente máxima de curto-circuito que o disjuntor consegue interromper com segurança, sem se danificar, explodir ou pegar fogo.
Não confunda com a corrente nominal (C40 = 40A de operação normal). A capacidade de interrupção é um parâmetro de segurança em condição de falta.
Se a corrente de curto-circuito presumida no ponto de instalação for superior à capacidade de interrupção do disjuntor, ele não conseguirá extinguir o arco elétrico — podendo resultar em explosão do dispositivo, incêndio no quadro e risco à vida.
Por isso, o projeto elétrico de uma wallbox deve incluir o cálculo da corrente de curto-circuito presumida no ponto de instalação e especificar um disjuntor com capacidade de interrupção igual ou superior a esse valo
Pergunta 6 — Em um circuito bifásico 220V em eletroduto aparente de 80 metros até a vaga, um cabo de 10mm² para 32A é suficiente?
a) Sim, atende uma Wallbox de 7kW (32A)
b) Não, a queda de tensão ultrapassa 4%
Embora o cabo de 10 mm² suporte a corrente de 32A em termos de ampacidade, o problema está na queda de tensão. Com 80 metros de distância em circuito bifásico 220V, a queda de tensão no condutor de 10 mm² ultrapassa o limite de 4% estabelecido pela NBR 5410.
Nesse cenário, seria necessário aumentar a seção do condutor (por exemplo, para 16 mm²) para manter a queda dentro do limite normativo.
Esse é um erro comum em instalações de wallbox em condomínios, onde a distância entre o quadro de distribuição e a vaga pode ser grande.
O profissional que dimensiona apenas pela ampacidade e esquece de verificar a queda de tensão entrega uma instalação fora de norma — e o carregador pode apresentar falhas ou redução de potência por subtensão.
Pergunta 7 — Para instalação de uma Wallbox em um estacionamento descoberto, qual classe de DPS é exigida?
a) Classe I + II
b) Classe II
c) Classe III
Ambientes externos exigem proteção contra surtos diretos e induzidos.
Quem executa essa função é o DPS classe I + II (combinado).
O DPS Classe I protege contra surtos de origem atmosférica direta (descarga direta no ramal ou nas proximidades).
O DPS Classe II protege contra surtos induzidos e manobras na rede. Em instalação externa, ambos os riscos existem simultaneamente, por isso a combinação é necessária.
Em instalações internas (dentro de edificações), um DPS Classe II isolado pode ser suficiente — mas em garagens externas, estacionamentos descobertos ou postos de recarga ao ar livre, a Classe I + II é obrigatória para garantir a proteção adequada da wallbox e do veículo.
Pergunta 8 — Em um condomínio, para viabilizar gestão de demanda, é fundamental que os carregadores...
a) Sejam todos do mesmo fabricante
b) Possuam protocolo e funções de smart charging
c) Tenham todos o mesmo número de fases
A gestão de demanda em condomínios depende de comunicação, controle e balanceamento de carga entre os carregadores instalados — ou seja, smart charging.
Quando múltiplos moradores instalam wallboxes no mesmo condomínio, a soma das demandas individuais pode ultrapassar a capacidade do transformador ou do ramal de entrada do edifício.
A solução não é limitar o número de vagas com carregador, mas implementar um sistema de gerenciamento que distribua a potência disponível de forma inteligente.
Para isso, os carregadores precisam possuir protocolos de comunicação como OCPP (Open Charge Point Protocol) e funções de balanceamento dinâmico de carga. Assim, o sistema reduz automaticamente a potência de cada carregador quando a demanda total se aproxima do limite, garantindo que todos recarreguem sem sobrecarregar a instalação do condomínio.
Pergunta 9 — Atualmente, a IT-41 dos Bombeiros de SP exige botão de emergência que desligue...
a) Apenas a wallbox mais próximo.
b) Todos os pontos de recarga simultaneamente.
c) Ambas condições acima.
A IT-41 (Portaria CCB-003/970/2026) exige dois tipos de chave de emergência para instalações com SAVE:
A chave de emergência local (item 5.4.2) deve estar a no máximo 5 metros do equipamento e permite o desligamento manual da wallbox mais próxima.
A chave de emergência de pavimento (item 5.4.1) deve estar a no máximo 5 metros da entrada da edificação, da garagem ou das escadas do pavimento, e permite o desligamento manual de todos os SAVE do pavimento simultaneamente.
Ambas devem ser instaladas entre 0,90 m e 1,80 m de altura do piso acabado. Além disso, os sistemas de alarme e detecção de incêndio devem ser interligados aos pontos de desligamento, garantindo o desligamento automático de todos os SAVE em caso de acionamento (item 5.5).
A IT-41 é específica do estado de São Paulo, mas serve como referência técnica para instalações em todo o Brasil — especialmente em condomínios e garagens comerciais.
Pergunta 10 — Considerando a regulamentação atual no Brasil, se um veículo possuir recarga bidirecional, ele pode alimentar?
a) Qualquer carga elétrica de forma direta e isolada (V2L)
b) A rede da distribuidora de energia para receber créditos (V2G)
c) Nenhuma das anteriores.
Atualmente, as distribuidoras de energia no Brasil não autorizam o uso de V2H (Vehicle-to-Home) nem de V2G (Vehicle-to-Grid). A única aplicação praticável é o V2L (Vehicle-to-Load), onde o veículo alimenta cargas isoladas — ou seja, equipamentos conectados diretamente à tomada do veículo, sem interação com a rede elétrica da residência ou do grid.
Na prática, o V2L funciona como um "gerador portátil": você pode alimentar ferramentas elétricas, eletrodomésticos em acampamentos ou equipamentos em locais sem energia, usando a bateria do veículo como fonte.
O V2G exigem regulamentação específica para injeção de energia na rede da distribuidora (V2G), o que ainda não está regulamentado no Brasil.
Como se preparar para instalar wallbox com segurança?
👉 Se você não gabaritou essas perguntas básicas, é sinal de que existem lacunas técnicas que podem comprometer a segurança das suas instalações — e a sua responsabilidade profissional.
O Kit Instalação Wallbox da ETC Energy cobre todos esses temas em profundidade: desde o dimensionamento de cabos e proteções até projetos em condomínios com smart charging, passando por normas (NBR 17019, NBR 5410, IT-41) e uso do App Proteção VE para gerar memória de cálculo em minutos.




