Cabo do Wallbox Esquentando? Causas, Verificação e Como Resolver
Atualizado: 3 de out.
Se o cabo do wallbox está esquentando, o problema pode ser mais sério do que parece — e raramente está isolado no cabo.

Uma termografia na instalação quase sempre revela que o quadro de proteção também aquece.
Até certo ponto isso é normal: a recarga de um veículo elétrico opera em carga máxima por muitas horas seguidas.
O problema começa quando a temperatura ultrapassa os limites da instalação — e aí o risco de falha de componente, queima e incêndio é real.
O aquecimento excessivo do cabo do wallbox tem três origens possíveis: a INSTALAÇÃO, o MATERIAL ou o PROJETO.
1. INSTALAÇÃO: Aperto nos bornes e barramentos
Parece básico, mas é uma das causas mais frequentes de aquecimento excessivo em instalações de wallbox. Bornes mal apertados nos componentes de proteção — disjuntor, DR, DPS — e nos barramentos.
Com uma carga contínua por várias horas, qualquer resistência extra se transforma diretamente em calor — é o efeito Joule atuando em cima de uma conexão deficiente.
A verificação é simples: circuito desligado, aperto de cada terminal conforme o torque especificado pelo fabricante. Terminal com folga visível ou com oxidação precisa ser substituído.
Atenção: uma conexão frouxa também compromete a atuação do disjuntor termomagnético — o calor se concentra no terminal, não no bimetálico do dispositivo, e o desarme não ocorre no momento certo.
2. MATERIAL: Condutor
O cabo do wallbox esquentando pode ser causado por subdimensionamento no projeto ou até por má qualidade de fabricação, onde a seção metálica do condutor não é respeitada. Isso somado à isolação PVC pode ser uma combinação perigosa em um circuito que opera em carga máxima por horas seguidas.
Para esse tipo de aplicação, o correto é usar cabo com isolação em EPR (polietileno reticulado), que suporta até 90 °C e é especificado para circuitos de carga contínua como o de carregadores veiculares.
Cabos EPR 1 kV são os mais indicados em percursos longos ou em ambientes com temperatura ambiente elevada.
3. PROJETO: Margem de segurança, método de instalação e queda de tensão
Esse é o ponto onde mais se vê erro entre instaladores. O raciocínio comum é: "wallbox de 7 kW puxa 32 A — disjuntor de 32 A e cabo de 6 mm² resolvem."
Considerando apenas a corrente nominal e a curva termomagnética de disparo, no papel parece certo.
Mas sem margem de segurança, a instalação opera no limite o tempo todo.
O resultado prático: o cabo superaquece, a vida útil do disjuntor é encurtada, ele começa a desarmar sem sobrecarga aparente — e pode queimar.
Mas qual margem adotar?
A recomendação é dimensionar com 25% de margem — multiplicar a corrente de projeto por 1,25, tanto no disjuntor quanto na seção do cabo. E essa margem não é chute: dois critérios independentes apontam para o mesmo fator.
Agrupamento e dissipação térmica (orientação de fabricante):
Quando há dois ou mais dispositivos lado a lado — disjuntor e DR, por exemplo — trabalhando simultaneamente por longos períodos, a dissipação de calor de cada um fica comprometida pelo calor do vizinho. Fabricantes como a WEG recomendam, nesse caso, utilizar o fator 1,25.
Carga contínua (NEC/NFPA 70):
Nos Estados Unidos, a National Fire Protection Association publica o National Electrical Code (NEC), que trata a recarga de veículo elétrico como carga contínua e exige o mesmo fator de 1,25 — para o disjuntor e para o cabeamento (NEC, art. 625.41).
Duas origens diferentes, a mesma conclusão: nesse tipo de circuito, trabalhar sem os 25% de margem é projetar no limite.
Além da margem de segurança no disjuntor e na seção do cabo, dois fatores que quase ninguém considera no dimensionamento:
Método de instalação:
Um cabo em eletroduto embutido em parede tem capacidade de condução menor do que o mesmo cabo ao ar livre. A NBR 5410 define fatores de correção específicos para cada método de instalação — e esses fatores reduzem a capacidade nominal do condutor. Ignorá-los é uma das causas mais comuns de subdimensionamento real.
Queda de tensão:
Em percursos longos do quadro até o ponto de instalação do wallbox, a queda de tensão precisa ser calculada. Além do impacto na eficiência da recarga, uma queda fora do limite indica que a seção do cabo está subdimensionada para aquela distância — mesmo que pareça adequada para a corrente.
Na imagem abaixo, você vê reunidos os 3 itens que cobrimos neste post — e como, juntos, eles levam a uma instalação comprovada e segura.

Mas atenção: verificar os três pontos citados é apenas metade do trabalho.
Comprovar é a outra metade.
É no memorial que o instalador registra a margem de segurança adotada, o método de instalação utilizado, o cálculo de queda de tensão, a especificação dos componentes e todas as verificações de segurança previstas na NBR 5410.
Para gerar o memorial de forma rápida e padronizada, recomendamos o aplicativo para celular Proteção VE, que faz o dimensionamento completo e emite o memorial pronto para entrega ao cliente e ao Corpo de Bombeiros.
Perguntas frequentes:
É normal o cabo do carregador de carro elétrico esquentar?
Um aquecimento leve e uniforme é esperado, porque a recarga é uma carga contínua. Preocupa quando o cabo esquenta a ponto de incomodar ao toque, há cheiro de queimado ou o disjuntor desarma sem sobrecarga — nesses casos, há erro de instalação, condutor ou dimensionamento.
Qual a seção de cabo ideal para um wallbox de 7 kW?
Um wallbox de 7 kW puxa cerca de 32 A, mas não se dimensiona só pela corrente nominal. É preciso aplicar a margem de 1,25, o fator de correção do método de instalação (NBR 5410) e verificar a queda de tensão no percurso. Dependendo desses fatores, 6 mm² pode ser insuficiente.
Qual disjuntor usar para carregador de carro elétrico?
O disjuntor deve ser dimensionado com a margem de segurança de 25% sobre a corrente de projeto, além de considerar IDR e DPS adequados. O valor exato depende do cálculo completo registrado no memorial.
Posso usar cabo PVC no wallbox?
Não. Para carga contínua, recomenda-se isolação em EPR (até 90 °C). O PVC, combinado a subdimensionamento, é uma das causas de superaquecimento do cabo.
Preciso de memorial de cálculo para instalar um wallbox?
Sim. O memorial é o que comprova a conformidade da instalação com a NBR 5410 perante o Cliente e o Corpo de Bombeiros. Sem ele, a instalação não está formalmente conforme.
Conclusão
Cabo do wallbox esquentando é sintoma — não causa. Verificar o aperto dos bornes, o material e a seção do cabo e a margem de segurança no dimensionamento (incluindo método de instalação e queda de tensão) são os 3 passos para achar o erro e corrigi-lo com segurança.
Documentar tudo no memorial de cálculo é o que transforma uma instalação executada em uma instalação comprovada — e é o que protege você, o cliente e a obra.
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