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Energia Solar para Carro Elétrico vale a pena? Veja o custo real por kWh.

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    ETC Energia
  • há 3 dias
  • 5 min de leitura


Carro elétrico em garagem com painéis solares no telhado e Wallbox conectada.
Energia solar e VE - O mito da recarga gratuita.

Aposto que você já ouviu dizer por aí:


"Com energia solar você abastece seu carro elétrico de graça!"

A parte que ninguém conta: o sistema fotovoltaico tem um custo real de investimento.


E como a maioria das pessoas carrega o carro à noite, a energia gerada durante o dia não vai diretamente para a bateria do veículo — ela passa pela rede da distribuidora, gera créditos, e esses créditos sofrem um desconto chamado fio B antes de serem utilizados.


Então, quanto custa de verdade cada kWh solar que chega ao seu carro elétrico? 


É exatamente isso que você vai encontrar neste artigo: um cálculo completo, com números verificáveis, usando como exemplo um BYD Dolphin Mini rodando 1.500 km/mês na cidade de São Paulo.

1. Quanto consome o BYD Dolphin Mini?


Para o BYD Dolphin Mini 2025/2026 as referências técnicas são:


  • Bateria: 38 kWh

  • Autonomia homologada: 280 km

  • Eficiência: 7,36 km/kWh


Consumo mensal (1.500 km) = (1.500 ÷ 7,36) = 204 kWh/mês

Esse é o volume de energia que sairá da tomada ou será descontado dos seus créditos solares.


2. O fio B: por que você precisa gerar mais do que vai consumir.


Aqui mora o detalhe que muda o dimensionamento do sistema — e que praticamente nenhum simulador online considera.


  • O problema da falta de simultaneidade:  


A esmagadora maioria dos proprietários de veículos elétricos carrega o carro à noite, entre 21h e 6h, quando não há sol. Isso significa que a energia gerada pelos painéis durante o dia é injetada na rede da distribuidora e retorna como crédito de energia no mês seguinte. A energia solar não flui diretamente do painel para a bateria do carro.


  • O desconto do fio B:


A regulação brasileira (ANEEL — Lei 14300) estabelece que o crédito recebido por cada kWh injetado na rede não equivale ao kWh completo da tarifa.


Neste ano de 2026, sobre o componente chamado fio B — que remunera o uso da infraestrutura de distribuição — incide um desconto de 60%.


TUSD Fio B
Peso do Fio B na tarifa nas diferentes distribuidoras. (Fonte: Greener 2025)

Para facilitar os cálculos, vamos considerar nesse exemplo a tarifa de R$ 1,00/kWh.


Componente

Valor

Tarifa

R$ 1,00/kWh

Fio B (28% da tarifa - CPFL Paulista)

R$ 0,28/kWh

Desconto sobre o fio B (60% × R$ 0,28)

R$ 0,17/kWh

Crédito efetivo por kWh injetado

R$ 0,83/kWh


Ou seja, para compensar 1 kWh consumido à noite (que vale R$ 1,00 na conta), o sistema solar precisa injetar 1,2 kWh durante o dia (R$ 1,00/R$ 0,83).


Cálculo do fio B.
Matemática do desconto do Fio B.
Energia que o sistema precisa gerar = 204 kWh × 1,2 = 245 kWh/mês

3. Qual potência do sistema é necessária em São Paulo?


Usamos o simulador online PVWatts do NREL (National Renewable Energy Laboratory dos EUA), com os seguintes parâmetros:

Parâmetro

Valor

Localização

São Paulo/SP (lat. -23,5°)

Tipo de módulo

Premium (monocristalino, η ≈ 21%)

Perdas do sistema

11%

Inclinação

25°

Azimute

0° (orientação Norte)


Resultado: geração anual de aproximadamente 1.480 kWh/kWp, equivalente a 123 kWh/mês por kWp instalado.


Potência necessária = 245 kWh ÷ 123 kWh/kWp = 2,0 kWp

Utilizando módulos de 600 Wp:


4 módulos × 600 Wp = 2,4 kWp instalados

Geração estimada: 2,4 × 123 = 296 kWh/mês — cobre os 245 kWh necessários para o veículo, com uma margem de 51 kWh/mês de crédito excedente para outros consumos da residência.


Energia Solar Residencial.
Sistema solar e geração estimada.

4. Qual é o custo real desse kWh solar?


Para responder isso de forma honesta, usamos o conceito de custo nivelado de energia LCOE — que divide o custo total do sistema ao longo de 25 anos pela quantidade total de energia gerada no período.


Premissas:

Item

Valor

Potência do sistema

2,4 kWp

CAPEX (Equipamento + Instalação em SP)

R$ 10.000

OPEX anual (limpeza e revisão)

R$ 100/ano (1% do CAPEX)

Degradação anual dos módulos

0,8%/ano

Custo de capital (TMA)

8% a.a.

Vida útil

25 anos


Custo por kWh gerado:

Método

Custo

Custo simples (sem desconto de capital)

R$ 0,155/kWh

Com custo de capital (TMA 8% a.a.)

R$ 0,311/kWh


O valor com a Taxa Mínima de Atratividade - TMA é o mais realista: reflete o custo de oportunidade do dinheiro — o quanto você deixaria de ganhar investindo os R$ 10.000 em outra aplicação de 8% ao ano.


5. Quanto custa o kWh solar que chega à bateria do carro?


O custo acima é por kWh gerado pelo sistema. Como para cada kWh consumido à noite o sistema precisa gerar 1,2 kWh (por conta do fio B), o custo efetivo por kWh que efetivamente alimenta o veículo é:


Custo efetivo = R$ 0,155 × 1,2 = R$ 0,19/kWh (custo simples)
Custo efetivo = R$ 0,311 × 1,2 = R$ 0,37/kWh (com custo de capital)

Comparativo:

Fonte

Custo por kWh

Solar + fio B (com custo de capital TMA 8%)

R$ 0,37

Solar + fio B (custo simples 25 anos)

R$ 0,19

Rede elétrica - Distribuidora

R$ 1,00


Mesmo no cenário mais conservador — incluindo o custo de capital de 8% ao ano e o desconto do fio B — o kWh solar para o veículo custa 63% menos que o kWh da concessionária.


6. Quanto você economiza por mês?


Comparativo econômico para carra elétrico e a combustão.
Comparativo VE com carro a gasolina que faz 12 km/l à R$ 6,78/litro.

Em relação à rede elétrica, a economia é de R$ 128/mês.
Em relação à gasolina, R$ 772/mês — o equivalente a R$ 9.264 por ano, ou mais de R$ 231.000 ao longo de 25 anos.

Comparativo financeiro entre carro elétrico e combustão.
Comparativo financeiro.

7. Em quanto tempo o sistema se paga?


O sistema de 2,4 kWp gera 296 kWh/mês em SP.


Considerando o pior caso onde todo esse volume é injetado na rede e retorna como crédito de energia: como cada kWh injetado vale R$ 0,83 (fio B), a economia mensal real é: 296 kWh × R$ 0,83/kWh = R$ 245,68/mês


Payback simples = R$ 10.000 ÷ R$ 245,68/mês ≈ 3,4 anos


Dos 296 kWh mensais de crédito, 245 kWh cobrem o carregamento do veículo e os 51 kWh restantes compensam outros consumos da residência — luz, ar-condicionado, geladeira.


Após o payback, o sistema opera pelos 21,6 anos restantes com custo praticamente zero — apenas manutenção.


Payback simples de sistema solar residêncial.
Payback aproximado de 3,4 anos.

Observação: para o cálculo ficar ainda mais exato, deve-se levar em consideração o aumento progressivo do desconto do fio B nos próximos anos, conforme previsto na Lei 14.300/2022. Por isso, quanto antes o sistema entrar em operação, maior o período de aproveitamento das condições atuais de compensação.



Conclusão


De graça não é o termo certo. O mais preciso é: muito mais barato do que qualquer alternativa disponível hoje.


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